23 de fev de 2018

A poesia e os amores: igual ou mais forte que a morte

Congresso Nacional 2018 - "Mais forte que a morte" - Estudos em Cântico dos Cânticos

Todo ano na primavera os judeus liam publicamente o rolo em que estava o livro que conhecemos hoje como Cântico dos Cânticos. Aquela bela e antiga poesia trazia palavras e histórias que descreviam o que os ouvintes viam na natureza: flores desabrochando (1:4), como rosas e lírios (2:1-2) e as vinhas floridas e cheirosas (2:12, 15); as frutas logo em seguida, como a maçã (2:3), os figos (2:13) e as romãs (4:3, 13). Toda natureza exuberante, das palmeiras (5:11, 7:7) às nogueiras (6:11).

"Veja, o inverno acabou,
e as chuvas passaram.
As flores estão brotando;
chegou a época das canções,
e o arrulhar das pombas enche o ar.
As figueiras começam a dar frutos,
e as videiras perfumadas florescem.
Levante-se, minha querida!
Venha comigo, minha bela!"
(Cântico dos Cânticos 2:11-13; NVT)

Assim como o povo de Israel fazia, teremos a oportunidade de ler e refletir sobre o Cântico dos Cânticos juntos no Congresso Nacional (CN) deste ano de 2018. E como corpo poderemos também ver o surgimento de frutos da missão estudantil. Relatórios com histórias de missão, novos grupos e um cuidado com a nossa organização através das eleições da Diretoria Nacional e do novo estatuto serão alguns destes frutos.
 

Cântico dos Cânticos é um livro repleto de cores, perfumes e símbolos. Um belo poema pouco explorado que descreve o amor entre um homem e uma mulher, muito real e palpável. As imagens bucólicas e a natureza real ilustravam para o povo de Israel uma poesia de amor que segue relevante mesmo depois de tantos séculos.
 

A leitura desse poema ocorria no sábado da Páscoa, marcando o início das colheitas de cereal e celebrando o Êxodo do Egito. Com o momento em mente, a mensagem de amor ecoava para seus ouvintes, que viam na data também as manifestações do amor eterno e da misericórdia divina através da libertação e do sustento. Da mesma forma, no CN poderemos observar o amor de Deus na história da ABUB e agradecer pelo sustento que ele provê, mesmo em períodos de dificuldade.
 

O texto de Cântico dos Cânticos também nos faz observar a importância dos relacionamentos e afetos em nossa vida. Como podemos construir relacionamentos saudáveis que manifestem e anunciem a graça de Deus? Como espalhar o aroma da doce história de salvação nas escolas, nas universidades e no ambiente de trabalho de todo o Brasil?
 

Mas todo o amor e a paixão celebrados na poesia não existem sem complicação. Assim como encontramos dificuldades na vida estudantil e profissional, além dos relacionamentos. Encontramos dores e opressão, tanto na alma quanto no corpo. A amada alerta, mais de uma vez: não despertem o amor antes do tempo (2:7, 3:5, 8:4). Ela sofre em busca de seu amado e fica "doente de amor". O amado, por sua vez, alerta para a força quase destrutiva do amor:
 

"Coloque-me como selo sobre seu coração,
como selo sobre seu braço.
Pois o amor é forte como a morte,
e o ciúme, exigente como a sepultura.
O amor arde como fogo
como as labaredas mais intensas.
As muitas águas não podem apagar o amor,
nem os rios podem afogá-lo.
Se algum homem tentasse usar todas as suas riquezas
para comprar o amor,
sua oferta seria por completo desprezada."
(Cântico dos Cânticos 8:6, 7; NVT; grifo nosso)

Assim como a morte, da qual ninguém escapa, é o amor: forte, inflexível. Não é possível brincar de amor sem consequências, ou despertá-lo antes da hora sem sofrimento. O amor é um sentimento complicado, e Cântico dos Cânticos deixa isso bem claro.


Mas o que essa paixão e esse sofrimento têm a ver com as Escrituras como um todo? Por que Cântico dos Cânticos está entre os Escritos da Bíblia hebraica, o Velho Testamento cristão, se é uma poesia de amor? Onde localizar esses versos na grande narrativa?


A Bíblia conta a história de como Deus vem em direção ao seu povo e sua igreja mais de uma vez. Esse movimento de amor na maioria das vezes não é recíproco e certamente nunca respondido com a mesma intensidade. Nos evangelhos este movimento ocorre novamente, quando Deus envia seu filho único, Jesus, para concretizar seu amor de uma vez por todas na cruz. Ali, na cruz, o amor deixa de ser tão forte como a morte e torna-se mais forte que a morte. Na ressurreição de Jesus, o amor rompe com as correntes da morte que nos escravizavam e começa, assim como na primavera, um novo ciclo de vida pra todo aquele que crer em Cristo. E, agora sim, a vida eterna, cheia de flores e frutos do Espírito.


Queremos convidá-los para o Congresso Nacional 2018, para juntos estudar e anunciar esse amor que venceu a morte, para que ele impacte e transforme nossos relacionamentos afetivos, nossas escolas, nossas universidades e nosso ambiente de trabalho. Que este amor molde nossas vidas e nossa missão, do evangelismo no grupo local, à governança do movimento nacional.


"Chegou a época das canções!"